quarta-feira, 12 de junho de 2013

“‘Põe tuas mãos em minhas feridas’, disse Jesus ressurreto a Tomé, ‘e saberás quem eu sou’.


“‘Põe tuas mãos em minhas feridas’, disse Jesus ressurreto a Tomé, ‘e saberás quem eu sou’. Cristo não perdeu as suas feridas. Elas são a sua identidade, nos dizem quem Ele é. Elas desceram à sepultura com Ele e, com Ele, de lá saíram. Visíveis, tangíveis, palpáveis... A ressurreição não as removeu. Aquele que destruiu os grilhões da morte preservou suas feridas.

Crer na ressurreição de Cristo é aceitá-lo como sinal de nossa própria ressurreição. Se nosso destino individual era a destruição, se para todos nós o destino era desaparecer sem deixar vestígios, então, ao invés da ressurreição de Cristo, é a morte de meu querido filho, tão precoce, que seria a representação de nosso destino.

Lentamente começo a enxergar que, afinal, existe mais alguma coisa. Crer na ressurreição de Cristo e na vitória sobre a morte é também viver com o poder e o desafio de nos levantar de todas as nossas sombrias sepulturas de doloroso amor. Se a simpatia pelas feridas do mundo não crescer através de nossa angústia, se o amor pelos que nos rodeiam não se expandiu, se a gratidão pelo que é bom não se inflamou, se a auto-análise não se aprofundou, se a prática do que é importante não se fortaleceu, se o anelo por um novo dia não se intensificou, se a esperança se enfraqueceu e a fé diminuiu, se da experiência da morte nada de bom veio, então, a morte venceu. ‘Então, morte, pode ficar orgulhosa, você venceu!’

Assim, vou lutar para viver a realidade da ressurreição de Cristo e a sua vitória sobre a morte. Em minha vida, a morte do meu filho não será a última palavra. Mas enquanto me levanto, sofro as mágoas da morte dele, pois minha ressurreição não as remove. Elas me marcaram. Se você quer saber quem sou eu, ponha a mão nesta chaga.”

⎯ Nicholas Wolterstorff, em memória de seu filho Eric, que, aos 25 anos, morreu num acidente de alpinismo na Áustria. In: “Lamento”, p. 92-93.

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