quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Devocional que recebi sobre ouvir

Sobre o ouvir

 

O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. E a humildade está nisso: saber,

não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que

nós não vemos. Mas isso, admitir que o outro vê coisas que nós não vemos, implica

reconhecer que somos meio cegos...  Vemos pouco, vemos torto, vemos errado.

 

Bernardo Soares diz que aquilo que vemos é aquilo que somos. Assim, para sair do

círculo fechado de nós mesmos, em que só vemos nosso próprio rosto refletido nas

coisas, é preciso que nos coloquemos fora de nós mesmos. Não somos o umbigo do

mundo. E isso é muito difícil: reconhecer que não somos o umbigo do mundo! Para

se ouvir de verdade, isso é, para nos colocarmos dentro do mundo do outro, é

preciso colocar entre parêntesis, ainda que provisoriamente, as nossas opiniões.

Minhas opiniões!

 

É claro que eu acredito que as minhas opiniões são a expressão

da verdade. Se eu não acreditasse na verdade daquilo que penso, trocaria meus

pensamentos por outros. E se falo é para fazer com que aquele que me ouve

acredite em mim, troque os seus pensamentos pelos meus. É norma de boa

educação ficar em silêncio enquanto o outro fala. Mas esse silêncio não é

verdadeiro. É apenas um tempo de espera: estou esperando que ele termine de

falar para que eu, então, diga a verdade. A prova disto está no seguinte: se levo a

sério o que o outro está dizendo, que é diferente do que penso, depois de

terminada a sua fala eu ficaria em silêncio, para ruminar aquilo que ele disse, que

me é estranho. Mas isso jamais acontece. A resposta vem sempre rápida e

imediata.

 

A resposta rápida quer dizer: “Não preciso ouvi-lo. Basta que eu me ouça

a mim mesmo. Não vou perder tempo ruminando o que você disse. Aquilo que você

disse não é o que eu diria, portanto está errado...”.

Recebi de juliana floreano
autor desconhecido

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